O Homem da parada

Parado na parada do ônibus, soturno, cigarro na mão, perdido no tempo, empreendendo viagem interior-paisagens fictícias passando qual filme em sua mente. Lembranças vagas, irreais, saudade do quê? De quem?
- Uma chuva fina começa a cair, tornando sombria e melancólica a tarde. O vento balança os oitizeiros da praça, passa o primeiro ônibus e uma vontade súbita o faz ficar ali parado, entre o patético e perplexo esperando sabe se lá o que - acende outro cigarro, dá um passo, fita o céu.
A tarde cinzenta desaba agora uma chuva forte , a ventania varre folhas das árvores, dos cadernos velhos jogados pelos estudantes concludentes e seus diários de sonho.
Outro ônibus passa, mas ele prefere a praça, prefere a chuva, prefere o vento; não há mais o desejo de ir, desenha-se um novo ar em seu rosto, uma ponta de sorriso. Talvez precisasse só disso para dissipar o desespero, a angústia da solidão. Uma resposta da natureza para despertá-lo para a vida, redescobrir prazeres, alegria.
Caminhou sob a chuva, braços abertos misturando-se as folhas, bebendo o vento, a brisa. Um novo homem, refeito parado ali na parada até que o ultimo ônibus o leve, agora para um destino certo. O homem da parada não tem mais o ser deserto - não está mais em vão, pode partir

Francisco Tribuzi.

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