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P Nauro Machado

Nauro no desterro Nau do portinho Machado sozinho A cavar o enterro Da tarde púbica Da chuva pura Na sua súplica Da amargura Na noite empírica Espatifada estrela Sobre um mar colérico Morto barco à vela Porte britânico Alma de linho Palavra, pânico Chão de espinho Nauro portinho Nau de desterro Público vinho Pão da poesia Francisco Tribuzi

TREM-BALA

O vento corre atrás do tempo Da bala E abala a estrutura De quem dentro vem e dispara E não vê a sombra por detrás da fala Que cala o vão do trem Só poesia sobra sobre a sombra além Mais veloz que a bala que abala o trem Mais veloz que o tempo de buscar o tempo Mais veloz que a voz de chamar o tempo Mais veloz que os olhos para olhar o tempo Arrastando o tempo que não volta mais Mais veloz que o vento que ficou no tempo Mais veloz que tudo que ficou prá trás Francisco Tribuzi

Os olhos do tempo

Os olhos do tempo não dormem Sonâmbulos, aceleram passos/paisagens Das manhãs virando tardes/noites... No abismo de pesadelos,roda gigante do mundo As coisas parecem inertes Sem sentir o vento varrendo-lhes A matéria de que são feitas Até que o dia acabe e a noite chegue Com seus holofotes de estrela...farol de lua De nada adianta o silencio-O tempo corre arrastando as horas O que ficou pra traz,é feito de corpos/lembranças mortas São portas abertas/ O tempo não volta São horas desertas/No porto perdido do caís Os olhos do tempo não dormem E nada ha que os faça parar Na contagem regressiva,nossa sombra cheia de assombros Entre as penumbras do espaço,que nos atira nos precipícios do caminho sem volta... E uma fé tremulante e incerta Sobre o futuro de nossa alma deserta O homem,ser supremo da criação Na dúvida doída e atroz Terá nossa história sido em vão? E em vão apodrecido nossa voz? Os olhos do tempo,nunca dormem O tempo é um alazão indomado Galopa a...

Caçador

Cansei-me do comum das coisas acontecidas Na lida do verbo...Palavras novas, inventadas Tornei caçador de palavras perdidas No vão do chão,no pó das estradas Palavras perdidas de suas bocas indecifradas,nuas,loucas Palavras correm ventos Si la bas se pa ra das Se misturam com as folhas E poeiras desgarradas Formam palavras novas (sem vocabulário) Melodias arranhadas Viajantes vozes do espaço Espantando as sombras das estradas Palavras no tempo,velozes Por mares,quitandas,casas Vão ecoando as vozes Nos rastros de suas asas Sobre pontes,viadutos,sobrados Sobre rios,relvas e jardins Sobre os limos dos telhados E o perfume dos jasmins Palavras avulsas...perdidas Nas igrejas,cemitérios,praças Pelas chuvas umedecidas Espatifadas nas vidraças Palavras gastas,desfeitas Pelo furor das tempestades Soletrando as estreitas portas da eternidade Palavras soltas ao vento perdidas de suas bocas Sem alma,sem pensamento Falando palavras loucas Nesse suposto imaginário de ouvi-las ao lé...

No túmulo de Louis Armstrong

Aqui jaz um ás do jazz,do blues Na eternidade,a felicidade...tem o tom,o som azul!

Poesia de Vidro

Quebro as palavras de esquinas Tropegas,soluçantes,nas sarjetas Nos becos dos botecos,nas neblinas Ruínas de mistérios e gorjetas ...E bebo os cacos das estrelas Nos rios transparentes das colinas Acordo o silencio das janelas E as velas desses barcos de platinas No berro das ladeiras dessa rua Diviso outras margens cristalinas A alma no meu espelho de lua Luzindo os destinos de outras sinas! Francisco Tribuzi

Passeio sobre São Luis

Não consigo ser Mais que esse vício provinciano De andar pelas tardes (Sob o limo dos telhados) Praia-grande Ponta d'areia Mesmas vitrines De entrar pela noite Madrugar bares Ler Poema Sujo Na solidão da ilha Divagar lugares varios Mas me sentir como um ímã Preso a São Luis! Francisco Tribuzi