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Mostrando postagens de maio, 2013

Aos trancos e barrancos

Aos trancos e barrancos - meio sem sentido, assim é a vida sem a vida de mamãe _ cada sonho se transforma em pesadelo e o pesadelo é uma realidade. Os dias apenas me arrastam para cumprir itinerários, compromissos _ sem mamãe:/bússola/bálsamo/porto/cais - viajo no vão do abismo que me precipita para o jamais: jamais a mesma alegria/jamais o mesmo carinho/jamais a mesma ternura. Vovó me aparece nos sonhos, com seu olhar condoído tentando minimizar minha infinita tristeza... Mas no fundo sabe que a minha dor só é menor que o amor que nem a sina da morte do meu peito arrancara. Aos trancos e barrancos vou sobrevivendo esses tempos de angustia que o destino me reservou sei que nada nunca mais será como quando a tinha junto a mim. Viver é ver a hora passar... Ate chegar a hora do fim!

Saudade

os domingos (com seus sois radiantes) os natais (que já eram tristes) anos novos (de utópicas esperanças) não são mais os mesmos nada é mais o mesmo não sou mais o mesmo a ideia que mamãe se foi me parte em sombras não consigo reencontrar a alegria me perdi dos caminhos traçados sou um labirinto sem saída, por causa de tua morte, pro resto de minha vida 

Crônica para mamãe

A cadeira de balanço, próximo ao janelão da sala (da ruas dos prazeres, 529) balança, vazia? Pela força do vento? ou pela presença imponente de Maria?... O jasmineiro floresce e espalha seu perfume pela sala/terraço/pelas frechas das janelas - junto, o perfume de Maria. A gata quase cega perambula desnorteada ainda procura o aconchego de Maria e às vezes se queda num canto da casa e brinca e expressa uma certa felicidade como que numa clarevidência encontrou sua amiga e protetora. Eu imagino sua sombra me acompanhando sua voz sussurrando conselhos/palavras de carinho aos meus ouvidos... O tempo parece parar para que eu me encontre na mistura do real e do sonho. Não há como viver sem as lembranças/saudades sem a crença de que ela ainda está aqui, em forma de luz a irradiar sua presença e reascender a nossa fé, para que eu possa acreditar em pelo menos uma eternidade: A eternidade de mamãe; Vida e razão maior da razão maior de minha vida!

Para mamãe

Mamãe levou na morte em sua(s) mão(s) abraçada(s) o resto de minha sorte o norte de minha(s) estrada(s) A minha mãe também levou no seu corpo adormecido o sublime perfume da flor que por ela, reguei, comovido Mamãe no silencio de sua boca levou as palavras q nutria a minha paz já tão pouca de amor e de poesia Mas eu também a trago dentro do peito guardada nessa dor que me estrago nas horas da madrugada Mas minha mão não quer que eu sofra, nem chore me deu a sua fé para que a deus implore Que transforme essa angustia profunda cheia de lembrança e saudade numa esperança fecunda do nosso encontro na eternidade Minha mãe levou quase-tudo e de tudo que ela levou pra não me deixar tão mudo deixou comigo o seu amor Pois sábia sabia que se de mim levasse levava a alegria que ainda me restasse: Mesmo que fosse assim senhor para que um dia enfim, sem dor dela eu me lembrasse! Francisco Tribuzi