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Mostrando postagens de julho, 2015

Caçador

Cansei-me do comum das coisas acontecidas Na lida do verbo...Palavras novas, inventadas Tornei caçador de palavras perdidas No vão do chão,no pó das estradas Palavras perdidas de suas bocas indecifradas,nuas,loucas Palavras correm ventos Si la bas se pa ra das Se misturam com as folhas E poeiras desgarradas Formam palavras novas (sem vocabulário) Melodias arranhadas Viajantes vozes do espaço Espantando as sombras das estradas Palavras no tempo,velozes Por mares,quitandas,casas Vão ecoando as vozes Nos rastros de suas asas Sobre pontes,viadutos,sobrados Sobre rios,relvas e jardins Sobre os limos dos telhados E o perfume dos jasmins Palavras avulsas...perdidas Nas igrejas,cemitérios,praças Pelas chuvas umedecidas Espatifadas nas vidraças Palavras gastas,desfeitas Pelo furor das tempestades Soletrando as estreitas portas da eternidade Palavras soltas ao vento perdidas de suas bocas Sem alma,sem pensamento Falando palavras loucas Nesse suposto imaginário de ouvi-las ao lé...

No túmulo de Louis Armstrong

Aqui jaz um ás do jazz,do blues Na eternidade,a felicidade...tem o tom,o som azul!

Poesia de Vidro

Quebro as palavras de esquinas Tropegas,soluçantes,nas sarjetas Nos becos dos botecos,nas neblinas Ruínas de mistérios e gorjetas ...E bebo os cacos das estrelas Nos rios transparentes das colinas Acordo o silencio das janelas E as velas desses barcos de platinas No berro das ladeiras dessa rua Diviso outras margens cristalinas A alma no meu espelho de lua Luzindo os destinos de outras sinas! Francisco Tribuzi

Passeio sobre São Luis

Não consigo ser Mais que esse vício provinciano De andar pelas tardes (Sob o limo dos telhados) Praia-grande Ponta d'areia Mesmas vitrines De entrar pela noite Madrugar bares Ler Poema Sujo Na solidão da ilha Divagar lugares varios Mas me sentir como um ímã Preso a São Luis! Francisco Tribuzi

O Homem da parada

Parado na parada do ônibus, soturno, cigarro na mão, perdido no tempo, empreendendo viagem interior-paisagens fictícias pass ando qual filme em sua mente. Lembranças vagas, irreais, saudade do quê? De quem? - Uma chuva fina começa a cair, tornando sombria e melancólica a tarde. O vento balança os oitizeiros da praça, passa o primeiro ônibus e uma vontade súbita o faz ficar ali parado, entre o patético e perplexo esperando sabe se lá o que - acende outro cigarro, dá um passo, fita o céu. A tarde cinzenta desaba agora uma chuva forte , a ventania varre folhas das árvores, dos cadernos velhos jogados pelos estudantes concludentes e seus diários de sonho. Outro ônibus passa, mas ele prefere a praça, prefere a chuva, prefere o vento; não há mais o desejo de ir, desenha-se um novo ar em seu rosto, uma ponta de sorriso. Talvez precisasse só disso para dissipar o desespero, a angústia da solidão. Uma resposta da natureza para despertá-lo para a vida, redescobrir prazeres, alegria. Caminhou so...

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O mundo está farto do eu prometo De entrelinhas sem quem as decifre Pior a emenda que o soneto O mundo está farto de fome e grife O mundo tá cheio de mais-valia Do vil metal comprando tudo Ninguém enxerga a poesia E a liberdade é um grito mudo Tanto rei auto-proclamado Tanto barão sem realeza A miséria um fato consumado No lar da rua sem pão nem mesa! Francisco Tribuzi

Mandamentos do homem/pelo Homem feito/memória e nome/virtude e defeito...

...Uma nova lei que se faça Do que realmente se queira Sem imposição ou mordaça Unindo nossa gente inteira A cometer desatinos Subverter o sermão A emendar os destinos Contrariar a razão Criar a própria sina E no universo do ser Inventar uma disciplina Que nos ensine a crescer Uma lei prá essa vida Que nos consagra e consome Na chegada e na partida Feita na fé do homem feita pelo próprio homem Na busca incessante da paz A dividir a sede e a fome Pra que não se tenha mais O homem dominando o homem Como se fosse um Deus Multiplicando a fome Nos homens que não são seus Uma lei sem céu nem inferno Sem subjugar a ninguém Sem prometer o eterno Que nem se sane se tem Seres realmente humanos Pela humanidade,aceitos Com acertos e enganos Com virtudes e defeitos Assim assino e dou fé Eu que não tenho poder de nada E assine em baixo...quem leu O cristão o ateu....toda rapaziada Uma especie de estatuto Sem dogma,sem tabu Sem salvo conduto Sem preconc...