Nauro no desterro Nau do portinho Machado sozinho A cavar o enterro Da tarde púbica Da chuva pura Na sua súplica Da amargura Na noite empírica Espatifada estrela Sobre um mar colérico Morto barco à vela Porte britânico Alma de linho Palavra, pânico Chão de espinho Nauro portinho Nau de desterro Público vinho Pão da poesia Francisco Tribuzi
...Aquele friozinho na barriga – na hora do encontro – na hora da despedida – na hora da partida – na hora da volta. A ânsia enorme de não ver a hora da noite chegar para ir vê-la... Se entregar aos afagos – pronunciar palavras que nem sabia o verdadeiro sentido – recitar poemas do Vinicius de Morais. Beija-la com tanto carinho e emoção que eleva a pulsação pra mais de 100... dizer baixinho no seu ouvido, com a voz da alma: Te amo! Até que um dos dois fala para o outro, um dos dois, “precisamos dar um tempo” (o mundo caiu) e um dos dois, perplexo (ele) pergunta “o que está acontecendo?” um outro alguém, ai o outro um dos dois (ela) “não...é que quero um tempo para reavaliar a relação” (chavão de praxe, e embromatório, para justificar o injustificável...) ai vem o abatimento... a tristeza... a saudade... Até que num belo dia, ela liga ou surge do nada... era tudo que ele queria e corre para os braços/abraços, que agora já sabe: Não sabe até quando será. Ausência Por esconderes ...
Em cada canto um assalto Em cada assalto uma vida Em cada susto me falto A alma cheia de ferida Não mais o namoro nas praças Jardins floridos de medo Esquinas dobrando as desgraças Do nosso triste enredo Até a lua se esconde E as estrelas apagadas São mais de 40, no bonde E incontáveis vidas ceifadas Cemitério de mortos-vivos O chão da penitenciaria Morada de bandos compulsivos Fabricando a dor diária Nem todos, porém, são perversos Um furto, um flerte, um erro Mas todos compõem os universos Da mesma sina, mesmo desterro... Quem dera Deus se apiedasse Num milagre a esse povo E cada pecado perdoasse Pra cada um nascer de novo E nossa ilha pudesse enfim Ser novamente pacata Feita de gente assim Que ama e não mata E esse poema que é prece Desse poeta menor Uma semente que floresce Tornando o homem melhor Francisco Tribuzi
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