Violentacidade
Em cada
canto um assalto
Em cada assalto uma vida
Em cada susto me falto
A alma cheia de ferida
Em cada assalto uma vida
Em cada susto me falto
A alma cheia de ferida
Não mais o
namoro nas praças
Jardins floridos de medo
Esquinas dobrando as desgraças
Do nosso triste enredo
Jardins floridos de medo
Esquinas dobrando as desgraças
Do nosso triste enredo
Até a lua se
esconde
E as estrelas apagadas
São mais de 40, no bonde
E incontáveis vidas ceifadas
E as estrelas apagadas
São mais de 40, no bonde
E incontáveis vidas ceifadas
Cemitério de
mortos-vivos
O chão da penitenciaria
Morada de bandos compulsivos
Fabricando a dor diária
O chão da penitenciaria
Morada de bandos compulsivos
Fabricando a dor diária
Nem todos, porém,
são perversos
Um furto, um flerte, um erro
Mas todos compõem os universos
Da mesma sina, mesmo desterro...
Um furto, um flerte, um erro
Mas todos compõem os universos
Da mesma sina, mesmo desterro...
Quem dera
Deus se apiedasse
Num milagre a esse povo
E cada pecado perdoasse
Pra cada um nascer de novo
Num milagre a esse povo
E cada pecado perdoasse
Pra cada um nascer de novo
E nossa ilha
pudesse enfim
Ser novamente pacata
Feita de gente assim
Que ama e não mata
Ser novamente pacata
Feita de gente assim
Que ama e não mata
E esse poema
que é prece
Desse poeta menor
Uma semente que floresce
Tornando o homem melhor
Desse poeta menor
Uma semente que floresce
Tornando o homem melhor
Francisco Tribuzi
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