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Mostrando postagens de janeiro, 2013

Vestida de mulher

Chegou esbaforida, olhar de desconfiança, semblante de gente desiludida, sentou-se num banco de estação rodoviária, passou a mão na testa, suspirou, pôs-se a conferir o dinheiro. De súbito olhou a paisagem com o olhar perdido como se tivesse viajando em pensamentos. Ficou assim por alguns minutos, como que revisando na tela de sua retina, os filmes reais de momentos vividos, na maioria difíceis, de um passado não tão distante assim. Levantou-se desanimada, foi ao guichê de passagens e comprou a sua. Já no ônibus, sentada do lado da janela, fechou os olhos para não ver, quem sabe, sua própria duvida, seu desespero, a angústia de não saber o que fazer com sua própria agonia. As lágrimas começaram a caí sem que ela se preocupasse em escondê-las. O ônibus, lento sumia com a tarde por entre as árvores e os matos do caminho e ela, misteriosa, engolia a voz lavada de sofrimento e tristeza. Quiz soluçar, mas conteve-se, levou as mãos ao rosto, tentou, em vão, refazer-se...

Poema

O poema   não define   o caos   preso no holocausto   caustico do ocaso   não define   a forma   nem dimensiona   formulas opocas do vácuo   de becos & bacos O poema simplismente nasce da raiz das palavras do tempo para a boca(rota) do mundo

Domingo

Absorto assisto ao absurdo a tarde parece um enterro aparentemente sóbrio, sobro entre as neblinas da solidão Absorto, absorvo o absurdo da tristeza sumindo o dia A noite parece um porto aparentemente ébrio, parto pelas esquinas da solidão Absorto, nessas grades de absurdo a madrugada parece um velho caís aparentemente vivo, assombro os fantasmas solitários dos quintais. Francisco Tribuzi