Cronologia/itinerário (tempo II)

Do tempo real/imaginário


Para onde o tempo leva
Nossas horas de abandono
O pagar-nos em treva
Quando navegamos no sonho

Para onde o tempo levará
Esse tempo todo, e tudo
Que fizemos sem contar
Quando estivermos mudo

Para onde o tempo carrega
A história de nossa vida
Toda a nossa doce entrega
Que um dia será esquecida

Pra que lugar, auto cume
O tempo levará a nossa voz
Quando formos estrume
A cinza dos nossos pós

Porque o tempo não para, assim
De contar as próprias horas
E acaba com as horas do fim
E enfim reinventa auroras

... tempo que conta tudo
E arrasta no fim dos dias
Os ventos do absurdo
Cegando a luz que havia

Tempo grande carrasco
Fim do tópico paraíso
Onde um eterno churrasco
Perpetuaria o nosso riso

Tempo que equação?
Que formula magica
Anularia (a)tua ação
Naquela hora trágica

Tempo tudo gira, é certo
Ao redor dos teus sinistros badalos
Da escura noite do deserto
Ao claro dia raiado pelos galos

Tempo... apagador de rastros, caminhos
O começo e o fim da estrada
Jardim de sangue e espinhos
No chão sem volta da jornada

Palavra tão curta mas comprida
Em suas horas fatais
A badalar a morte e a vida

Nos campos sem luz do jamais

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