Absoluto (tempo I)
Tempo senhor absoluto das horas
Apagando as pegadas da vida
Ascendendo, desmanchando auroras
Galopando as horas da partida
O tempo: veloz como bala
Fabricando saudades, rugas
Pouco a pouco nos calando a fala
Atalhando as nossas fugas
Tempo marcador exato
De nossa vã existência
No concreto e no abstrato
Na fé e na ciência
Tudo nele vive e morre
Tudo nele chega e passa
Esse vilão que corre
E seus rastros de fumaça
Navegando barcos à velas
Ascendendo os sóis, luas
Apagando as estrelas
Sobre a solidão das ruas
Tempo: relógio de giz
Calando(a) a vida, (a) obra
Apagando o que se diz
Com o pó de sua sobra
Tempo: régua do infinito
Entre se e o sim
Do real e do mito
Do começo e do fim
Tempo... trovão da tempestade
Com suas chuvas de auroras
Arrastando a eternidade
Para o silencio das horas!
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