Ponto de fuga

Francisco Tribuzi


O sol nascente apaga
O arco-íris dos horizontes
E o medo nos traga
Nas enchentes apavorantes

Um grito aflito e louco
Invade a escuridão
E cala pouco a pouco
A voz da emoção

A pomba gira - no terreiro
O mundo gira - nas cabeças
A vida bêbada de trilhas
Tropeça os rumos dos atalhos

A noite cai feito um abismo
Rasga mortalhas soltam os seus gritos
                Pelas encruzilhadas
Barcos navegam nuvens
Cheiro de velas queimadas

A lua cheia chama
Uivos de lobos/homens
Estrelas ensanguentadas
Incendeiam as florestas

As chuvas inundam os rios
Espantam as almas penadas
E afundam os navios
Com luas incendiadas

A pomba gira – nas cabeças
O mundo gira – no terreiro
A vida bêbada de atalhos
Tropeça rumos/apaga trilhas

Comentários

  1. Belo poema, caro irmão Chico Tribuzi. Você conseguiu injetar no papel a estranheza e a perplexidade diante deste mundo que varamos, mas já não reconhecemos como nossa casa.

    ResponderExcluir
  2. Acabei de compartilhar no meu Facebook. Espero que não se aborreça por isso.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

P Nauro Machado

Especial para o dia dos namorados

Violentacidade