Pequena homenagem à São Luís nos seus 402 anos de fundação e a Bandeira Tribuzi no seu 36° aniversário de partida



FELIZ CIDADE!
VIVA TRIBUZI!
(VIVA FELIZ NA CIDADE QUE TRIBUZI CANTOU E SE ENCANTOU!)


8 de setembro


Para meu pai, Bandeira Tribuzi, no 36° aniversário de sua partida e para São Luís – Patrimônio Cultural da Humanidade, na data do seu aniversário - terra da encantaria, Athenas Brasileira, terra dos poetas... dos bumba bois, tambor de criola – dos carnavais (de tua, passarela...) dos Sãos: João, Pedro, Maçal... praias encantadoras (olho d’agua, araçagy, ponta d’areia...) da feira do livro... dos dias ensolarados, das noites de lua cheia... histórias de glorias... lendas e mistérios...

São Luís, cidade louvada em verso e prosa por Tribuzi que, de tanto doar-se e doer-se por ela (na poesia, no jornalismo, como professor, técnico economista) madrugando projetos que visavam um melhor reordenamento do espaço físico/humanista, distribuição de renda mais igualitária (uma educação de abrangência ampla, geral e irrestrita). Porém a voz e o coração de Tribuzi, já cansados, embora os olhos plenos de poesia e amor por esta ilha, resolveram emudecer e, num último suspiro, como prova inconteste do seu infinito amor... resolveu plantar-se nela, para homenageia-la! Assim quando acendemos as velas para festeja-la, o poeta ressurge e brada do infinito: OH MINHA CIDADE DEIXA ME VIVER QUE EU QUERO APRENDER A TUA POESIA...!




Bandeira Tribuzi, pseudônimo de José Tribuzi Pinheiro Gomes, foi um poeta brasileiro. Filho de pai português, até 1946 viveu em Portugal, estudando na Universidade de Coimbra.








Imagem

Bandeira Tribuzi


Vista do mar, a cidade,
subindo suas ladeiras,
parece humilde presépio
levantado por mãos puras:
nimbada de claridade,
ponteia velhos telhados
com as torres das igrejas
e altas copas de palmeiras.
Seus dois rios, como braços
cingem-lhe a doce figura.

Sobre a paz de sua imagem
flui a música do tempo,
cresce o musgo dos telhados
e a umidade das paredes
escorre pelos sobrados
o amargo sal dos invernos.
Tudo é doce e até parece
que vemos só o animado
contorno de iluminura
e não a realidade:
vista do mar, a cidade
parece humilde presépio
levantado por mãos puras
e em sua simplicidade
esconde glórias passadas,
sonha grandezas futuras.



PRÉ-HISTÓRIA

Bandeira Tribuzi

Na solidão do chão sem tempo
há uma ilha de expectativa,
entre dois rios, como braços,
suavemente recolhida.
Verdes copas e o vento nelas
e os cachos das frutas nativas
e as alvas coxas de suas praias
ao sol do trópico estendidas.

Vizinho o mar com sua espuma,
seu horizonte imaculado,
com sua raiva e sua ânsia,
com seu verde pulmão salgado,
misturando sua maresia
com o acre cheio do mato. 

Vizinho o mar com seu mistério
e o além por ser desvendado.
o mar de onde, por milênios,
tudo que vem é rumor longo,
surdo ou cavo, manso ou severo,
cantochão grave, som redondo
contra pedras, conchas, areias,
interminável apelo em som do
horizonte que não revela
o mistério profundo e abscôndito.




Passeio sobre São Luís

Francisco Tribuzi

Não consigo ser
Mais que esse vício provinciano
De andar pelas tardes
(Sob o limo dos telhados)
Praia Grande
Ponta d’Areia
Mesmas vitrines
De entrar pela noite
Madrugar nos bares
Ler Poema Sujo
Na solidão da Ilha
Divagar lugares vários
Mas se sentir como um imã
Preso a São Luís.


São Luís

Francisco Tribuzi

Soletro São Luís
é ela quem me passeia por brejos, luares, varandas,
limo e lustres, fortes e fontes, muros e mares.
Basta-me um barco.
As lanternas do cruzeiro do sul
para navegar o cortejo deste presépio de luz,
ancorado na beira-mar e, o precipício dos becos
empurrando poesia pelas ladeiras da História.
Soletro São Luís
e aprendo a didática de amar a cidade
muito além da arquitetura de azulejos portugueses.

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