Para mamãe no seu dia



(o dia dela são todos os meus dias)

 


Francisco Tribuzi
As palavras são apenas paliativos. Silenciosamente sufocada dentro do peito, da alma – a dor agoniza no deserto da saudade nas grades solitárias da lembrança.
Mas ela ainda vive – nos quatro cantos da casa (rua Silva Jardim 529) ... pelos becos e ladeiras, monumentos e ruas... entre arco-íris e o mar – da beira mar ao bacanga. No sitio desmanchado do turu. Nos rios do maracanã... na praia da ponta da areia – rua das hortas/rua grande/... rua da paz (onde nascera). Ela ainda vive passeando seu sorriso farto – perfumando São Luís com seu doce aroma dos sorvetes de damasco e/ou ameixa, saboreados no hotel central. Ainda escuta os antigos companheiros (camaradas vermelhos) do papo sadio/sagrado da praça João Lisboa. Mantêm intacta a farda do colégio Liceu Maranhense onde pontificou com soberba inteligência, entre Rubens Almeidas e outros ilustres maranhenses... Mamãe me segue, por isso não sucumbo. E levo-a na luz dos meus olhos por todos os lugares que ela me apresentou: passeio no bonde do anil, cinema de gala do cine Éden! ... Eu e ela sempre estaremos juntos assistidos pela inebriante e amada São Luís até que feche eu os olhos para sempre (e que a cidade nesta hora nos guarde em uma só alma) pois é para sempre o nosso amor!
 

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