Lembranças

Mórbida a tarde observa, absorve vivencia
a chuva chorando angustia
sobre os telhados e os canteiros
(sobre a imagem do teu sorriso)

A buzina dos carros de farois
acessos, parecem sinos
dobrando os signos de finados (esquinas de enterros)
mórbido silencio soletrando o cio das horas mortas
pairando sobre o espaço cinza
- do vidro turvo turvando paisagens
- da vida turva travando horizontes
- quebradas vidraças
resquícios de saudade
nodoas de lembranças
presas no vago vácuo, no opaco ocaso do jamais

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