Delirium tremens I

Qual o mar que te navega
Na viagem solidão
Que saudade te carrega
Deste posto de ilusão.

Para o sonho que te nega
O desconforto da razão
Desta madrugada cega
Te guiando para o vão.

Ó silêncio quase-morte
Infinita escuridão
Em que noite a tua sorte
Se perdeu de tua mão.

Qual a cor da manhã
Que adormeceu tua canção
E fez tua estrada vã
Pondo treva em tua visão.

Entre os dedos escapole
Teus segredos mais um gole
Deste mundo vomitado
Entardeces em febre e ruga
Não há mais tempo pra fuga
És um grito amordaçado.

Francisco Tribuzi - 1° lugar no concurso nacional de poesia da revista Brasília.

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