Menino de rua
Menino de rua catando lixo
os restos rotos do arroto humano
olhar de pedra: parado e fixo
rastros de dor sem nome e dono
Dividindo o osso no fim do poço
onde abisma sua infância morta
como um cão humano, vira-lata insosso
nesse chão imenso sem janela e porta
Assassina a sina imposta desse aborto
do futuro, do passado, do presente
navegando em vão sem caís nem porto
no eterno desconforto de viver ausente.
Menino de rua catando a vida
nos restos rotos do lixo humano
no presépio de lágrimas e ferida
onde apodrece o seu abandono.
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